Ave liberta

(Azevedo Cruz)


Vejo a morte chegar, sem que possa evitá-la...
Um estranho torpor é o prenúncio do fim...
 Por que, meu Deus, por que tudo termina assim?!... ,
Pergunto agoniado, o peito já sem fala.

Do esquife que me guarda, ouço vozes na sala,
Sobre o meu corpo inerte estende-se um jardim...
Sinto cheiro de vela a queimar junto de mim...
Prepara-se o cortejo em funeral de gala.

No entanto, embora morto, a memória trabalha,
A passo vacilante, abandono a mortalha,
Volitando no espaço, a chorar e a tremer...

Em êxtase, transponho os umbrais desta vida,
Agradecendo a Deus em prece comovida,
Ave trinando ao Sol de um Novo Alvorecer!...



João Antônio Azevedo Cruz nasceu na Freguesia Santa Lagoa de Cima, Município de Campos-RJ, em 22-6-1870 e desencarnou em Nova Friburgo-RJ, em 22-1-1905.

Do livro Jardim de Estrelas, de Espíritos diversos, por Carlos A. Baccelli – Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier – Votuporanga-SP, 1997.



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