– A vida é sombra da ilusão funesta... Exclamava chorando, ao fim do dia. – Lodo, miséria e pó, na noite fria... De toda lide humana é quanto resta. – E o amor, a beleza, e o sol em festa? – Cinza e nada!... – a mim mesmo respondia. – E o pesadelo estranho da agonia Nos tormentos da angústia que me empesta? Pranto e dor estrangulam-me na garganta... Nisso, porém, a morte calma e santa Vence o gelo da treva que me invade. Partem-se algemas... Luzes brilham perto... E, deslumbrando, escuto, enfim liberto, A divina canção da Eternidade.
Obs: Notável poeta luso de fina sensibilidade, desencarnado em Portugal.
Do livro Vozes do Grande Além, de Espíritos diversos, com Chico Xavier/Ed.FEB