HORA EXTREMA

(Antônio Nobre)


– A vida é sombra da ilusão funesta...
Exclamava chorando, ao fim do dia.
– Lodo, miséria e pó, na noite fria...
De toda lide humana é quanto resta.

– E o amor, a beleza, e o sol em festa?
– Cinza e nada!... – a mim mesmo respondia.
– E o pesadelo estranho da agonia
Nos tormentos da angústia que me empesta?

Pranto e dor estrangulam-me na garganta...
Nisso, porém, a morte calma e santa
Vence o gelo da treva que me invade.

Partem-se algemas... Luzes brilham perto...
E, deslumbrando, escuto, enfim liberto,
A divina canção da Eternidade.

Obs: Notável poeta luso de fina sensibilidade, desencarnado em Portugal.

Do livro Vozes do Grande Além, de Espíritos diversos, com Chico Xavier/Ed.FEB

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