Escuta serenamente Quem te repele ou censura. Há muito fel de amargura, Em forma de maldição. Às vezes quem te maltrata Arrasta apenas consigo Sede, fome e desabrigo Por brasas no coração. Quem te injuria e escarnece, Na frase agressiva, azeda, Em si sofre a labareda Que verte do próprio mal. Toda cólera é doença. Aquele que se enraivece Solicita o pão e a prece Do socorro fraternal. Muita gente cai nas trevas, Por não achar, no caminho, Brandura, silêncio e ninho, No peito amigo de alguém. Inda que ofensas de cubram E lâminas te retalhem, Que as tuas forças não falhem Na força que espalha o bem. Desculpa, constantemente, O golpe, a pedrada, o insulto, Apesar do pranto oculto, Amargo, desolador! Quem tolera e quem perdoa, Embora de alma ferida, Encontra, na própria vida, O reino do Terno Amor.
Poetisa de fino talento e bela inspiração, Irene Souza Pinto (nasceu em Amparo-SP em 08-04-1887/21-05-1944), colaborou na Revista Feminina, foi criadora das crônicas sociais do Correio Paulistano, além de contista e romancista. No Cemitério da Consolação, em São Paulo, os filhos da poetisa erigiram-lhe um túmulo onde gravaram o belíssimo soneto “Último desejo”, de autoria de Irene.Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Do livro Antologia dos Imortais, de Espíritos diversos, por Chico Xavier e Waldo Vieira. Ed. FEB - Federação espírita Brasileir - Ed. FEB-Rio de Janeiro-RJ.