Jésus Gonçalves (12-7-1902/16-2-1947) nasceu na cidade paulista de Borebi, cerca de 40 Km ao Sul de Bauru, na região central do Estado.
Enfrentou as dificuldades próprias da vida, trabalhando em atividades rudes durante sua mocidade até alcançar na Prefeitura e Câmara de Bauru, a responsabilidade de Tesoureiro, onde permaneceu até o ano de 1930.
Ao contrair a doença de Hansen (lepra), Jésus foi exonerado de sua função e passou a viver de favor de um lado a outro, chegando às raias da miséria, pois a mulher com a qual se casara (já viúva e com duas filhas) falecera, deixando-lhe quatro filhos dessa nova união, estando o mais velho com 7 anos.
Jésus Gonçalves é o exemplo que se pode compreender como o trabalhador que aproveitou excepcionalmente as poucas horas que lhe foram disponíveis, produzindo em tempo reduzidíssimo o que muitos não conseguem fazer durante toda uma existência.
Em seguida ao seu desemprego, foi internado em vários Asilos Colônias, permanecendo nessa situação até 1937, quando foi transferido para a Colônia de Pirapitinguí, nas proximidades da cidade de Itu, distante 50 Km da Capital paulista.
Seis anos depois, Jésus, descrente que era, conheceu o espiritismo e aprofundou-se em seus ensinamentos, e, nos quatro anos seguintes, além de abraçar o Evangelho e divulgar a Doutrina Espírita, ainda fundou dentro da própria Colônia um Centro Espírita e uma emissora de rádio, para divulgar os ensinamentos de Jesus.
Pelos dois sonetos que se seguem nota-se a mudança radical de comportamento e de conceito durante as fases de sua vida: o primeiro, sem o espiritismo, e, o segundo, com ele.
FALTA - em 1940
Onde andará um "não sei quê", um bem,
em cuja busca sou judeu errante?
Por onde eu passo, já passou também...
E quando chego já partiu há instante...
Não sei se está na vida, ou mais adiante,
dentro da morte, nas mansões do além...
Se está no amor... se está na fé, perante
os dois altares que esta vida tem.
Mas, se esta vida é um sonho, a morte o nada;
o amor um pesadelo; a fé receio;
por que manter-se em luta desvairada?
No entanto, eu sigo... acovardado, triste...
A procurar em tudo em que não creio,
a coisa que me falta e não existe!
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FALTA - em 1943
Hosana! Eu já encontrei o grande bem,
em cuja busca fui judeu-errante.
É o facho luminoso que contém
a luz que me ilumina a todo instante!
E ele está na vida e mais adiante,
dentro da morte, nas mansões do além...
Está no amor... Está na fé... Perante
os dois altares que esta vida tem!
Pois, nem a vida é sonho e a morte o nada,
O amor é luz; a fé, o santo meio
de tornar esta luta compensada!
Por isso eu sigo... nos caminhos meus,
a procurar em tudo quanto creio,
a coisa que faltava e... que era Deus!
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Flores de Outono, de Francisco Cândido Xavier (Ed. LAKE), onde são apresentadas as três fases de Jésus Gonçalves, com fatos de sua vida e sonetos. Parte deles quando descrente da vida; parte deles quando abraçou a fé cristã-espírita e a outra parte como espírito, transmitindo ao médium Chico Xavier seus sentimentos de amor à vida.