Todas religiões têm o seu “livro sagrado”.
Na Índia, o Mahabharata, do século XVI aC; na Judéia, as Antigas Escrituras/Lei/Torah mosaica foram instituídas como regras gerais entre os anos 200 aC e 100 dC, apesar de seus relatos remontarem ao século XX aC, quando do surgimento de ABRAÃO; a Septuaginta/Versão dos Setenta/Bíblia Grega, surgida entre os anos 300 e 50 aC por ordem de PTOLOMEU II, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o Grego; a cultura papirológica egípcia nos exibe O Livro dos Mortos desde o século XXIII aC; e desde o ano 700 aC os gregos conheceram a Mitologia bem como PLATÃO e sua pneumatologia – ou o estudo da alma – desde o ano 300 aC; em 1740 veio à lume o Fragmento Muratoriano do Evangelho de JESUS CRISTO, o qual se referia a um texto mais antigo, do ano 100 dC; preocupado com as discrepâncias bíblicas, ORÍGENES, no ano 200 dC, elaborou a bíblia Hexapla em 6 colunas, cada uma com um manuscrito diferente; no ano 100 dC a Septuaginta foi traduzida para o Latim, surgindo a Vetus Latina; esta, no ano 300 dC, foi traduzida por JERÔNIMO, originando a Vulgata Latina; e MAOMÉ, no ano 500 dC, apresentou o Alcorão aos árabes; no ano 1500 dC o papa CLEMENTE VIII reconheceu erros na Vulgata Latina e mandou fazer uma revisão que permanece até hoje.
E de todas essas bíblias não temos os originais, apenas cópias de cópias, sendo as mais recentes as do ano 800 dC! Nelas as palavras eram escritas sem espaçamentos nem sinais de pontuação, gerando assim erros de divisões e de interpretações; só no ano 500 os escribas começaram a usá-los e apenas no ano 700 passaram a usar o espaçamento, a vírgula, os acentos, etc. As divisões em capítulos e versículos só foram iniciadas depois do ano 900!
Com o advento da Igreja Anglicana em 1535, através do Ato de Supremacia do rei HENRIQUE VIII, e setornado Chefe da Igreja Inglesa, este rejeitou o texto dos calvinistas de GENEBRA e mandou fazer outra tradução bíblica, nascendo a conhecida Bíblia dos Bispos. Todavia os católicos ingleses exilados na FRANÇA também quiseram uma bíblia na língua nacional, e apareceu a Bíblia de Doaui entre os anos de 1582/Novo Testamento (NT) e 1609/Antigo Testamento (AT). Em 1611, 47 tradutores, produziram uma nova versão da Bíblia dos Bispos, denominada atualmente como Versão Autorizada e considerada um dos maiores monumentos literários ingleses.
Em 1945 foi descoberto o Evangelho de TOMÉ em NAG’HAMMADI/EGITO, e em 1947 foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto em QÜMRÂM/CISJORDÂNIA. Os Talmudes – “ensinos; estudos” – mais famosos são os do exílio na Babilônia e o de Jerusalém, ambos do ano 200 aC ao 400 dC e são coleções de livros rabínicos buscando o melhor entendimento da Torah quanto aos problemas do dia-a-dia, e essa é a tão falada Lei Oral. A Mishná é a codificação das tradições orais que completa a Lei Escrita, incapaz de tudo prever, e a Gemará e o Midrash são comentários da Mishná. Já os Targuns são inscrições aramaicas da Torah, sendo os mais famosos os de Onkelos e Jonatan.
Em 1300 o culto rei português, D. DINIS, traduziu os 20 primeiros capítulos do NT, todos amaldiçoados pela igreja católica por não ser em Latim, dogma que teve de abrir mão no ano de 1800, permitindo-lhe as traduções em todos os vernáculos. Em 1676 o pastor protestante JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA traduziu pela primeira vez o NT em língua portuguesa e, em 1753, o AT, sendo sua bíblia protestante publicada apenas em 1861. Em 1819 o padre ANTÔNIO PEREIRA DE FIGUEIREDO traduziu a primeira bíblia católica portuguesa, seguindo o exemplo de FERREIRA.
Em 1847 o frei JOAQUIM DE N. Sª DE NAZARÉ traduziu o NT em SÃO LUIZ/MARANHÃO – BRASIL –, tachando as bíblias protestantes de “falsificadas”. Isso forçou a bíblia de ALMEIDA ser vertida para o Português do BRASIL – um pouco diferente do de PORTUGAL –, ficando conhecida como a Primeira Edição Brasileira do NT.
Inumeráveis outras traduções surgiram: em 1902, 1925, 1930, 1943, 1976, 1998, e a Sociedade Bíblica Internacional criou a Nova Versão Internacional. Há a Bíblia de Jerusalém, de 1956, em Francês, da Escola Bíblica de Jerusalém, a qual deu origem, em 1980, à brasileira. E apesar de tantas, as bíblias protestante e católica não contêm o mesmo número de livros!
Diante disso perguntamos: se todas as religiões têm o seu livro sagrado, por que a Terceira Revelação, o Espiritismo, não tem um Evangelho espírita só para si? Resposta: porque os atos comuns da vida do CRISTO, os seus milagres, as suas predições e as suas palavras tomadas pela igreja para fundamento de seus dogmas, têm sido objeto de controvérsia, exceção feita ao seu ensino moral conservado inatacável, porque diante deste código divino até a incredulidade se curva. É este o terreno onde todos os cultos podem se reunir, o estandarte sob o qual todos podem se colocar, quaisquer sejam as suas crenças por jamais haver se constituído em matéria de disputas religiosas.
Então a Doutrina Espírita ficará com os temas morais cristãos que tratam da reforma ética de cada um, pois o Evangelho Segundo o Espiritismo entende que aquelas intermináveis querelas não conduzem a modificação moral alguma. Sua legitimidade repousa na universalidade dos seus ensinos e analisa, acima de tudo: o levantamento da ponta do véu que oculta a vida futura, os artigos componentes dum código de moral universal sem distinção de culto, e a explicação das passagens obscuras do NT.
Eis porque o Espiritismo não necessita duma bíblia a mais no mundo. Leia, para saber mais, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO.