Joel F. de Souza



"O livro e o conhecimento"

27-11-2011

Segundo os historiógrafos da Lexicologia, ciência da formação das palavras, “a História começa com o advento da linguagem escrita” porque, anterior a esta, encontramo-nos absolutamente impossibilitados de saber algo porque coisa alguma ficou registrada em caracteres linguísticos comuns a todos. Então, não havendo as transferências das experiências vivenciadas, seja ou não com acertos, nenhum conhecimento ficou arquivado para, mais tarde, servir de orientação e/ou resolução de novos problemas.

As informações das experiências passaram a ser armazenadas nos hieróglifos maias, astecas, ou egípcios, sendo que podemos datar as da SUMÉRIA como as documentações mais recuadas, em fins do século IV aC, com suas escritas cuneiformes – em forma de cunha – em materiais de argila e com o estilete de caniço.

Em 2200 aC, no EGITO, surgiu o papiro, e em 2000 aC, em PÉRGAMO/ÁSIA MENOR, o pergaminho. A partir daí apareceram os primeiros livros em rolos e, em torno de 1440, com a invenção da imprensa por GUTENBERG, o conhecimento se tornou popular por conta da facilidade de impressão que a barateava. O livro, consequentemente, passou a ser o divulgador do conhecimento histórico a suavizar o presente e a visar o futuro. O primeiro livro editado pelo “Pai da Imprensa” foi, curiosamente, a “Bíblia de 42 linhas”, depois as gravações da História, das Ciências, da Matemática, etc. E ainda hoje, inobstante o lançamento do “ipad-2”, em 02Mar11, nos EUA, o livro ainda se faz bastante presente em nossas vidas; mas, dada a crescente velocidade da informação, “todo conhecimento renovar-se-á a cada 4 anos”, asseguram os sábios.

Assim sendo tudo muda, tudo se altera para melhor, de modo que a única realidade passa a ser, como sempre foi, a mudança. “Tudo muda”, é verdade, exceto DEUS, o Único Ser imutável por excelência porque indene a qualquer transformação por ser a Verdade pela qual tudo se torna verdadeiro, porquanto a verdade não pode mudar. A verdade, como dizia ROUSSEAU, “possui luz própria, brilha por si só” e, diante dela, calam-se todas as contradições.

As Ciências Naturais mudam suas teorias, e o mesmo se dá com a Filosofia, exceção feita às desgastadas religiões tradicionais por serem, todas, catequéticas-dogmáticas, arbitrárias e, como não poderia deixar de ser, contrárias às renovações progressistas, logo, contrárias aos desenvolvimentos das Ciências e da Filosofia. Naquelas igrejas ainda encontramos o conhecimento bíblico sendo enfiado goela a dentro dos fiéis, de modo impositivo, sem lhes permitir quaisquer questões de considerações evolucionistas. Quanta barbaridade intelectual!... Continuam agindo como se o DEUS que criou a natureza não fosse o mesmo DEUS criador do homem, do pensamento, e da ciência. Ora, se tudo provém de DEUS, então não temos motivo algum de nos arrecear de todas as respostas lógicas que possam contradizer as “sagradas escrituras”. Não é à-toa que as igrejas estão se transformado em estabelecimentos de ateus ou, ao invés, de fanáticos desarrazoados, e até parece que não ocorreu nada no mundo desde a Revolução Científica iniciada por NICOLAU COPÉRNICO que, em 1543, com o seu livro “As Revoluções das Esferas Celestes”, apresentou as provas matemáticas da Terra não poder mais ser considerada como centro do universo, desferindo um golpe mortal no Antigo Testamento. A ele seguiram-se outros cientistas e outros preciosos livros:

1º) ANDRÉ VESÁLIO que, também em 1543, apresentou ao mundo a sua “Fábrica”, ou “Sobre a Organização do Corpo Humano”;

2º) JOHANNES KEPLER que, em 1605, descobriu “As Três Leis do Movimento Planetário”;

3º) GALILEU GALILEI que, em 1.632, escreveu o “Sobre os Dois Maiores Sistemas do Mundo”;

4º) RENÊ DESCARTES que, em 1641, publicou as “Meditações Metafísicas” onde afirmava que a razão humana era capaz de, sozinha, descobrir a existência do “Ser Perfeitíssimo”, DEUS;

5º) FRANCIS BACON que, em 1623, com a sua “Grande Instauração”, estabeleceu uma nova classificação das ciências;

6º) ISAAC NEWTON que, em 1687, publicou o “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, no qual demonstrou que o universo não tinha centro; e, para não me alongar mais:

7º) CHARLES DARWIN que, em 1859, publicou o “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”.

O livro e a ciência – que é o conhecimento bem fundamentado – têm, juntos, nos impulsionado ao soberano poder de conhecer. Assim sendo, aquelas arcaicas e ultrapassadas religiões ortodoxas ou se atualizarão ou desaparecerão por causa dos “pontos indiscutíveis” de seus sistemas, ignorantes das mudanças trazidas pelos ventos do progresso intelectual-científico. Nosso tempo exige e sonha com o casamento duma religião moderna com a Ciência e a Filosofia. Ora, isso já aconteceu, está no mundo desde 1857, é o Espiritismo, consubstanciado n’“O Livro dos Espíritos”, escrito por ALLAN KARDEC e os Espíritos superiores em conhecimento e amor.


Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

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