Joel F. de Souza



Médiuns e mediunidades-I

23-02-2012

A história sobre os médiuns e as mediunidades não é nova, repete-se, podemos dizer, “ciclicamente”, chamando assim a nossa atenção intelectual. Trata-se da manifestação do fenômeno espiritual. Em todas as épocas civilizatórias, em todos os povos, em todas as latitudes, lá estava ele, o fator espiritual, sempre presente com os seus representantes: as pitonisas délficas na GRÉCIA; os áugures e os arúspices em ROMA; os profetas na JUDEIA; e os médiuns – neologismo cunhado por ALLAN KARDEC para caracterizar os modernos agentes passivos dessa antiga ordem de fatos.

Os dotados desses dons, os de entrar em contato com os homens desencarnados, ou espíritos, sempre causaram admiração, respeito, e até medo. Os da Antiguidade oravam invocando os manes, os devas, os deuses, os demônios, e até mesmo os demônios, para curar, predizer, receitar, profetizar, etc., tal qual hoje ainda se ora aos “santos”. Homens e mulheres, indistintamente, como as mitológicas sibilas greco-romanas, as sacerdotisas egípcias, alguns religiosos católicos, e os médiuns espíritas, possuíam os dons de entrar em contato com o mundo espiritual.

A visão antropológica da mediunidade – maior ou menor capacidade de perceber os espíritos – se perde na vastidão do tempo, desde o surgimento do homem: vamos encontrá-la no Antigo Testamento a começar por ADÃO recebendo duas ordens de DEUS (Gn 1:16-7); seguiu-o EVA que também recebeu outra ordem (Gn 3:16); CAIM foi o terceiro interlocutor divino (Gn 4:5); e NOÉ foi o quarto (Gn 6:13); a lista é grande. O Novo Testamento, por sua vez, nada fica devendo ao anterior porquanto “os nossos dons são diferentes segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a ...”, afirmou PAULO de Tarso (Rm 12:6-8); e PEDRO disse “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, ...” (1 Pe 4:10); mas há inumeráveis outras passagens. Na Idade Média o ser humano dotado dessas faculdades ou era considerado santo ou era considerado feiticeiro, não obstante possuírem, ambos, os mesmos dons. O primeiro era canonizado e o segundo era enforcado ou queimado após haver sido torturado pela Igreja Católica e a sua insidiosa Inquisição. O fenômeno ocorrido em FÁTIMA/PORTUGAL, em 1917, foi considerado verdadeiro pelos interessados, todavia se a visão do mesmo espírito tivesse ocorrida no seio do Protestantismo... Reitero que não foi pequeno o número dos “endemoniados” a perecer nas “santas” fogueiras do Tribunal do Santo Ofício e, sem dúvida, caso ainda prevalecesse aquela instituição nefanda, eu já não estaria aqui e nem estaria vivo a defender o sagrado dom da mediunidade concedido ao homem para sua evolução moral-espiritual.

Única religião afirmadora da sua universalidade, o Espiritismo tem a mediunidade, ou a comunicação com o mundo espiritual, como um dos seus fundamentos primeiros, pois como os espíritos, superiores ou não, poderiam se comunicar com os encarnados sem um canal? É importantíssimo, entretanto, separar mediunidade e mediunismo, pois se a mediunidade diz respeito à Doutrina Espírita, isto é, àquele que crê em DEUS, em JESUS, na Lei de Ação e Reação, na Lei da Reencarnação, na Lei da Comunicabilidade dos Espíritos, e na Pluralidade dos Mundos Habitados, o mediunismo diz respeito ao que dispõe apenas de algum tipo de contato espiritual, porém não assegura os demais fundamentos.

Os grandes sábios do XIX, os fisiopsiquistas, estudaram-na para testá-la, partindo alguns deles, “a priori”, com a ideia da sua falsidade – procedimento não-científico, convenhamos –, mas tiveram que retornar sobre seus pés e confirmá-la, como foram os casos ocorridos com o célebre médico e fisiopsiquista francês, CHARLES RICHET, laureado com o Nobel de Fisiologia em 1913; o Prof. RICHARD HARE, lente de Química da Universidade da PENSILVÂNIA/EUA, que concluiu pela realidade dos fenômenos físicos sem contato direto com os médiuns; o Barão de GOLDENSTUBBÉ, que escreveu o livro “A Realidade dos Espíritos e de suas Manifestações”, após pesquisar a escrita direta; o Dr. JOHN W. EDMONDS, Juiz da Suprema Corte de NEW YORK, que verificou a mediunidade em sua própria pessoa e em sua filha LAURA que, ainda colegial, apresentou a faculdade mediúnica da xenoglossia ou o “dom das muitas línguas”; isto para não falar de GIBIER, CROOKES, ZÖLLNER, MOSES, CHIAIA, LOMBROSO, WALLACE, e os médiuns GUZIK, SARDOU, FLAMMARION, KLUSKI, NICHOLL, DUNCAN, d’ESPERANCE, PALADINO, COOK, etc., e, ontem, o brasileiro CHICO XAVIER.

A história se repete...

Quer saber mais? Leia o “O Livro dos Médiuns”, de ALLAN KARDEC e procure os cursos de um CENTRO ESPÍRITA.


Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

Voltar para a página anterior / Voltar para a página principal