Compromisso com a vida




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"COMPROMISSO COM A VIDA"

Renove-se

03-8-2019

Compreendendo que a vida não é geração espontânea e o casamento e nascimento não estão na conta de acidentes nos caminhos de cada um, bem como a pluralidade de existências é uma realidade e consequente necessidade do espírito, os quadros da vida terão outra conotação.

Santo Agostinho (354/430) explica as relações que existem entre a razão e a fé, sustentando que a fé é precedida por certo trabalho da razão. Assim sendo, diz ele: É necessário compreender para crer e crer para compreender(1) (Intellige ut credas, crede ut intelligas).

A forma e constituição do corpo humano é puramente física, de conformidade com o ambiente em que nos encontramos: a Terra.

O corpo humano, quando na vida uterina, tem apenas a vida vegetal(2), porquanto há todo um processo com base no sério compromisso da entidade prestes a cumprir com a lei do retorno, com base na reencarnação, tema que não vamos aqui abordar. A partir do nascimento esse corpo será, por assim dizer, habitado por um espírito, que é a base do princípio inteligente. Os benfeitores lembram que o homem é um Espírito Eterno habitando temporariamente o templo vivo da carne terrestre(3).

A forma e constituição desse corpo é uma réplica do que chamaremos de corpo perispiritual ou corpo astral, termo muito pouco empregado fora do campo doutrinário, isso porque o espírito propriamente, pela sua pureza em relação à matéria, a esta não está diretamente ligado, mas depende desse importantíssimo elo, o perispírito (corpo perispiritual).

Assim sendo, através desse recurso intermediário o espírito agirá plenamente sobre o corpo físico durante a vida toda e, pela condição especial que possui, opera verdadeira simbiose fluido-magnética através desse organismo, o perispírito.

Para facilitar o entendimento e praticidade quanto ao uso do termo, uma vez feita a distinção entre espírito e perispírito, neste nosso trabalho serão empregadas as palavras espírito ou corpo espiritual, mas que na verdade se referem ao perispírito (psicossoma(4)). É sempre dele que estaremos falando.

Numa magnitude fantástica, a irradiação de um corpo para outro é simplesmente maravilhosa. O psicossoma, (corpo espiritual), é divino, é obra do Criador, Senhor da Vida e dos Mundos, que reflete no corpo material a sua condição física, qual seja, o estado integral de sua estrutura, com a plástica de cada pessoa.

O corpo físico portanto, este corpo que usamos, é idêntico ao corpo espiritual; ambos, um e outro, são o mesmo. E quando no corpo físico, visíveis ou não, existem marcas ou sinais que alteram a normalidade mecânica ou funcional desse conjunto de órgãos, carne e ossos, esses sinais associam-se aos vínculos impostos em razão de transgressões da grande Lei de Causa e Efeito, como resultado de atos originários em outra existência e que com o passar do tempo e as reencarnações sucessivas, vão sendo eliminados, desde que os reajustes morais aconteçam no curso do tempo. Assim fica claro que os pais contribuem com o corpo físico, mas o espírito eviterno que o habita, não lhes pertence.

Os benfeitores desse mundo invisível são incansáveis quando falam sobre esse assunto, trazendo o binômio ‘seriedade e responsabilidade’ à tona. Dizem eles: Receber um corpo, nas concessões do reencarnacionismo, não é ganhar um barco para nova aventura, ao acaso das circunstâncias, mas significa responsabilidade definida nos serviços de aprendizagem, elevação ou reparação, nos esforços evolutivos ou redentores(5).

Essa Lei, eterna e imutável, é essencialmente equilibrada e justa. Recompensa ou repara tudo o que ocorre durante a vida. Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deve ser paga: se não for numa existência, será na seguinte ou nas seguintes, porque todas as existências são solidárias; a única lei geral é que toda falta recebe a punição e toda a boa ação a sua recompensa, segundo o seu valor(6).

À recomendação anterior soma-se esta, acentuando os termos já conhecidos da humanidade e amparados sob o ensinamento de Jesus, nosso Guia e Modelo moral, quando disse que cada um receberia de acordo com suas obras:

O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei.

Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir (7).

A vida é o maior bem que nos oferece o Criador; é a maior das oportunidades que Dele podemos receber. E o corpo físico que usaremos para a travessia do período em que vamos permanecer neste Planeta é aquele que fazemos por merecer, tanto na constituição interna de seus órgãos quanto na estética plástica visível, exteriorizando seu conjunto de atributos.

Para que a existência seja amparada pelo Alto na plenitude do amor que buscamos, pensamentos contrários em relação à harmonia do conjunto nunca deverão se aproximar do coração.

Vigiai e Orai para que não entreis em tentação(8), lembra-nos o Mestre, para que o mal ou tudo o que possa alterar a retidão de conduta seja afastado da criatura.


(1) : Obra Confissões, de Santo Agostinho.

(2) : Obra O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - Q.353 - "O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir".

(3) : Obra Missionários da luz, de André Luiz, por Chico Xavier - Ed.FEB.

(4) :Psicossoma: O corpo espiritual.

(5) : Obra Missionários da luz, de André Luiz, por Chico Xavier - Ed.FEB.

(6) : Obra O Céu e o Inferno, de Allan Kardec - Ed.IDE.

(7) : Obra Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, por Chico Xavier - Ed.FEB.

(8) : Obra O Evangelho - Mateus, 26, 41.



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