A alma clamou cansada ao corpo, um dia: - "Por que me prendes, barro vil e escuro? Quem te sustenta por lodoso muro, Acalentando a noite que me espia? Quem te mandou, algema da agonia, Escravizar-me o sonho vivo e puro? Quem te criou, cadeia de monturo, Excitando-me a dor e a rebeldia?” E o corpo respondeu, calmo e sublime: - “Eu sou, na Terra, a cruz que te redime, Não me interpretes por sinistra grade... Deus modelou-me lâmpada de lodo, Na qual és chama do Divino Todo Para fulgir além, na Eternidade...”
Do livro Antologia dos imortais, de espíritos diversos, com Chico Xavier e Waldo Vieira – FEB – Federação Espírita Brasileira.