Vladimir Polízio



Simplificar é ser racional

21-10-2012

Relutei em elaborar este comentário sobre procedimentos e práticas adotadas com naturalidade e que envolvem a publicação de certos trabalhos doutrinários ou de orientação.

Não me refiro aqui aos escritos propriamente ditos, em seu conteúdo, sua forma etc..., mas, sim e especialmente com referência às palavras rebuscadas, contidas em cada página, em muitos livros espíritas.

A decisão de configurar este registro se deve, basicamente, em razão de reclamações e observações inúmeras que nos têm chegado de pessoas, espíritas e não espíritas, que destacam, e com razão, essa ocorrência que acaba trazendo desconforto nas leituras.

De fato, muitas publicações contém vocábulos que não são costumeiramente usuais, o que torna o texto, na maioria das vezes, um pouco distante e sem o resultado esperado no aspecto entendimento, conforme a intenção do autor.

Na verdade, se o livro espírita deve, por natureza lógica, alcançar todas as camadas da sociedade, obviamente tem, por necessidade, que se compor de palavras naturalmente empregadas no dia-a-dia, de maneira a facilitar sobremaneira a compreensão com a clareza que se pretende expor o assunto, cuja simplicidade não vai prejudicar o valor da obra. Elitizar o conteúdo, com palavras nada convencionais, nos parece distanciar-se do objetivo maior, que é levar a todos o conhecimento claro do texto.

Uma das razões para que se pense em mudanças é que nem todos os leitores têm fácil acesso a dicionários; outra, é que não é qualquer dicionário que traz as soluções pretendidas e, outra ainda, é que muitos não se socorrem desses meios mesmo possuindo recursos em sua biblioteca, pelo simples desconforto de levantar-se, interrompendo momentaneamente a leitura para efetuar a pesquisa ou consulta pertinente.

Não estamos questionando a qualidade desses trabalhos, mas sim a ausência de clareza com que se revestem e quando chegam às mãos do destinatário final, que é o leitor, muita coisa fica por ser compreendida, uma vez que certas frases acabam oferecendo alguma dificuldade que interrompe a linha de raciocínio. Se o espírito, como entidade comunicante, for intelectualmente elevado e desejar transmitir seu amplo conhecimento clássico do vernáculo, através da escrita mecânica, cujo domínio independe do aparelho receptor, que é o médium, há que se registrar o que recebe, sem dúvida alguma, pela ação do espírito exercida sobre o braço e mão do médium. Aliás, mesmo que o médium tenha amplo ou parcial conhecimento da mensagem, ele, por respeito e fidelidade ao espírito comunicante, não interfere. De outra forma, se é o próprio médium que se empenha em utilizar-se dos recursos gramaticais que lhe estão disponíveis, para exteriorizar o sentimento do espírito comunicante, e passar para o papel com os verbos, substantivos e adjetivos que lhe são familiares ou de seu gosto, mesmo os de outra língua, ambos estão sendo autênticos, e assim deverão proceder, pois agem de acordo com o conhecimento cultural que detém, e disso não temos nenhuma dúvida e nem somos contrários.

Porém, para um ajuizamento equilibrado, cremos que nada há que impeça sua devida interpretação ou tradução ao nível do conhecimento popular, colocando o assunto em sintonia com o leitor para que a profundidade da mensagem tenha o alcance pretendido e não fique apenas subentendida, dependendo muitas vezes de alguém que a decifre.

Sabemos, contudo, que a leitura também não faz parte do hábito cotidiano de nossos irmãos brasileiros. Conhecemos essa dificuldade e outras mais que não podem ser ignoradas.

Mas, como o propósito lógico de todos é melhorar-se, tanto moral como intelectualmente, sugerimos, com todo o respeito aos espíritos, médiuns e editores e com base nos próprios reclamos, que se acrescente em cada capítulo o respectivo vocabulário, como medida de resguardo a cada leitor, que terá ali mesmo os esclarecimentos de que precisa.

Temos certeza de que, com essa atenção, estará sendo resolvido um problema de entendimento de texto e enriquecendo o vocabulário daqueles que procuram na farta literatura espírita, o esclarecimento lúcido de todas as suas dúvidas, por menores que elas sejam.

Ao que parece, esse é um princípio de fraternidade, oferecendo condições para que todos melhorem o conhecimento.


Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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