Muitas vezes, quando estamos aborrecidos com certos procedimentos de outras pessoas que não se identificam com a maneira própria de nos conduzir, nos esquecemos que, nesses momentos, nossa paciência deve ser amplamente testada. A tolerância e o equilíbrio, pelos ensinamentos evangélicos, devem estar presentes em qualquer situação e em qualquer momento da vida.
É costume dizer que os maus prevalecem pelo simples motivo dos bons serem pacíficos e tranquilos. De fato esse entendimento nos parece coerente.
Porém, ser ‘bom’ não deve ser sinônimo de ‘tolo’.
Ser bom é ser afável, amável, generoso, fraterno, dócil. Podemos até sintetizar o pensamento e dizer que ser bom é ser respeitoso, porque através do ‘respeito’ todos os demais valores éticos e morais estão ali embutidos.
sso não significa que devamos ser agressivos ou reprimir no mesmo nível qualquer tipo de hostilidade.
A passagem histórica que consta no Cap. 20 do livro Os Mensageiros, abordando o assunto das DEFESAS CONTRA O MAL, os instrutor espiritual fala da lenda hindu que convoca os bons a se levantarem da inércia. E, sobre esse ponto de vista, entendemos que a lição nos leva claramente a entender que SER BOM NÃO É SER TOLO.
Alfredo sorriu serenamente e perguntou, bem humorado:
— Vocês conhecem a lenda hindu da serpente e do santo?
Ante a nossa expressão negativa, o administrador continuou:
— Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou:
— Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela.
Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la:
— Mas, minha irmã, houve engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso à distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.
Nesse momento, Aniceto sorriu de maneira expressiva.
O administrador fez longa pausa e concluiu:
— Creio que a fábula dispensa comentário.”