Vladimir Polízio



Qual a força dos astros?

24-08-2012

O Universo, essa imensidão infinita que os nossos olhos alcançam alguns poucos quilômetros em razão de nossa incapacidade visual profunda, guarda segredos que aos poucos vão sendo desvendados à humanidade.

Quando ouvimos afirmativas que se referem à força dos astros, vemos pessoas que se inquietam com o assunto. Na verdade, se inquietam entendendo que o homem poderá estar sujeito às previsões do horóscopo(1) , com base no mapa zodiacal(2) (ou signos do zodíaco), que correspondem aos doze meses do ano. Esse pensamento tem sua razão de ser, pois milhares são as pessoas que leem os prognósticos do dia, como primeira leitura, antes de sair de casa para qualquer atividade.

Como não poderia ser diferente, não vamos tratar desse tema, mas sim, com a macro-visão que o conhecimento nos oferece.

Primeiro, vamos entender, um pouco, esse Universo do qual fazemos parte.

A Terra, mundo onde estamos, gira em seu movimento de rotação, que corresponde a um dia de 24 horas, com a espantosa velocidade superior à do som(3).

Mas não é só isso. Há também o movimento de translação, este em torno do Sol, com velocidade múltiplas vezes maior que a anterior.

Não podemos esquecer que o próprio Astro-Rei tem sua evolução específica, como todos os demais integrantes desse conhecido sistema, a “Via Láctea”, cujo conjunto se arrasta pelo infinito.

Estando os corpos em movimento constante, o que gera um campo magnético renovável, a Terra tem a sua participação nesse conjunto, recebendo séria e considerável influência.

Ora, se a Terra é comparada a um magneto gigante, cujo poder de atração está hiperativado, recebendo de modo natural as influências externas, tudo o que está nela, por consequência, está sujeito a essa ação. Animais, plantas, mares e rios estão sob esse efeito. E os seres humanos, por que não estariam?

Porém, há que se considerar um ponto de fundamental importância. Que o homem, como ser humano e racional que é, dotado de espírito em franca evolução moral, encarnado temporariamente em mundos físicos e responsável único pelo seu futuro, uma vez que possui total livre-arbítrio em suas decisões, detém condições amplas para alterar o curso dos obstáculos que se anteponham em seus caminhos.

As duas únicas fatalidades, com lembram os Espíritos, é o instante do nascimento e da morte, e não consistem “... senão na hora em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo” (LE-859).

Quanto a isso não temos nenhuma dúvida, já que os instrutores do outro lado da vida enfatizam: “É na hora da morte que o homem está submetido de maneira absoluta à inexorável lei da fatalidade, porque não pode fugir à sentença que fixa o termo de sua existência, nem ao gênero de morte que deve interromper-lhe o curso” (LE-872).

O que nos é mostrado claramente é que não chegamos à Terra e nem dela partimos no momento errado.

As questões expostas no tocante à forte influência dos astros têm o mesmo peso que aquelas referentes aos ambientes hostis, onde o espírito deverá lutar para ver-se livre das tentações ou facilidades em relação ao acesso à porta larga, sinônimo da degradação moral.

Os arrastamentos a que os espíritos são induzidos, fazem parte, muitas vezes, da própria escolha do reencarnante quando lhe é dada permissão nesse sentido, por sentir-se com a necessidade de ser submetido à prova ou teste nas condutas em que se acha com comportamento frágil ou inseguro.

Por exemplo, “Para lutar contra o instinto do roubo é preciso que se encontre entre pessoas dadas à prática de roubar” (LE-260); “Se o espírito quis nascer entre malfeitores, ele sabia a que arrastamentos se expunha...” (LE-259); “Alguns se impõem uma vida de misérias e privações para tentarem suportá-la com coragem. Outros querem se experimentar nas tentações da fortuna e do poder... Outros, enfim, querem experimentar-se pelas lutas que devem sustentar ao contato com o vício” (LE-264).

Cada influência, seja magnética, através dos astros ou física, pelo ambiente chamado a viver, exercerá a sua parte sobre o indivíduo, que terá de lutar contra essas pressões. “Assim, no estado de espírito, o livre-arbítrio existe na escolha da existência e das provas, e, no estado corporal, na faculdade de ceder ou de resistir, aos arrastamentos aos quais estamos voluntariamente submetidos” (LE-872).

Encerramos este trabalho com a posição de Emmanuel, eminente instrutor e mentor espiritual que acompanhou Chico Xavier durante toda sua vida mediúnica, sobre essa delicada questão dos astros: “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra; porém, a existência planetária é sinônimo de luta. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas, urge que estas lutem contra os elementos perturbadores, porque, acima de todas as verdades astrológicas, temos o Evangelho, e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras, achando-se cada homem sob a influência que merece”(4).

Em suma, deduzimos que tudo podemos quando nossa vontade positiva for soberanamente bem conduzida.

-o-

1. Horóscopo: Observação que um astrólogo fazia do estado do céu, no momento do nascimento de uma criança, apresentando seus prognósticos futuros.

2. Mapa zodiacal ou Zodíaco: Compreende uma esfera com o Sol centralizado e circundado pelos doze meses representados simbolicamente pelos signos. Em virtude da precessão (que precede; que antecipa) dos Equinócios, os signos, ao cabo de alguns anos, já não ocupam os mesmos lugares em razão de não abrangerem as mesmas estrelas.

3. Considerando que o som se propaga no espaço a uma velocidade média de 340 metros por segundo, segue-se que, por hora, terá percorrido 1.244 quilômetros. A Terra, em seu movimento de rotação, girando em seu próprio eixo, suplanta esse limite, atingindo algo em torno de 1.600 Km/horários, sem que seus 7 bilhões de habitantes o percebam.

4. O Consolador, de Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro-RJ – FEB – Federação Espírita Brasileira – Questão 140.

OBSERVAÇÕES:

Astronomia: Ciência que trata da constituição, da posição relativa e dos movimentos dos astros.

Astrologia: Arte ou ciência de ler o futuro nos astros. O estudo da astrologia e o conhecimento de que os astros poderiam exercer influência dos acontecimentos na vida das pessoas teve origem na Caldeia, e difundiu-se pelo Egito, Itália e a Europa Ocidental.

Ocuparam-se dela os homens mais célebres de todos os tempos: Tácito (55-120), Galileu (1564-1642), São Tomas de Aquino (1225-1274), Tycho-Brahé (1546-1601), Kepler (1571-1630) e muitos outros. Cada soberano tinha um astrólogo na sua corte.


Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

Voltar para a página anterior / Voltar para a página principal