Vladimir Polízio



Vida e posse

20-04-2018

"Não é a vida mais que o alimento?" – Jesus – Mateus, 6:25.

É comum as pessoas se apegarem em demasia aos bens materiais. Ao perguntar o porquê da preocupação e da busca incessante em procurar atividades que proporcionem alto rendimento, obtém-se como resposta imediata a necessidade de elevação do padrão econômico, para adquirir a casa e o carro dos sonhos.

Dependendo do anseio pessoal, uma só atividade profissional não será suficiente para suprir essa lacuna no sentimento? Horas e horas de trabalho são empregadas em idas e vindas, viagens e mais viagens e o provocado e danoso distanciamento dos afetos do lar em nome de uma perspectiva financeira.

Mas, será que nesse bem-estar aguardado para o futuro, implicando em muito trabalho e pouco ou tempo com a família, está a solução que você considera como um problema a ser resolvido?

Uma coisa é a harmonia familiar e um trabalho que proporcione condições para o sustento, tomando-lhe o tempo necessário para essa finalidade; a outra, é a busca desenfreada dos bens materiais sem medir suas dificuldades e funestas consequências.

Essa diferença entre ambas as situações precisa ser muito bem avaliada, para não haver choro ou ranger de dentes, como disse Jesus, ao esquecer-se o homem de que suas raízes não são permanentes Terra, pois, a qualquer momento esse ou aquele poderá ser chamado de volta ao mundo dos espíritos. A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.

Emmanuel, mentor espiritual que acompanhou Chico Xavier na Terra, enviou-lhe, através da psicografia, esta mensagem que fala da inconveniência do apego às coisas materiais, com o nome de 'Vida e posse':

"Aconselha-te com a prudência para que teu passo não ceda à loucura.

Há milhares de pessoas que efetuam a romagem carnal, amontoando posses exteriores, à gana de ilusória evidência.

Senhoreiam terras que não cultivam.

Acumulam ouro sem proveito.

Guardam larga cópia de vestimenta sem qualquer utilidade.

Retém grandes arcas de pão que os vermes devoram.

Disputam remunerações e vantagens de que não necessitam.

E imobilizam-se no medo ou no tédio, no capricho maligno ou nas doenças imaginárias, até que a morte lhes reclama a devolução do próprio cor.

Não esqueças, assim, a tua condição de usufrutuário do mundo, e aprende a conservar no próprio íntimo os valores da grande vida.

Vale-te dos bens passageiros para entender o bem eterno.

Aproveita os obstáculos para incorporar a riqueza da experiência.

Não retenhas recursos externos de que não careças.

Não desprezes lição alguma.

Começa a luta de cada dia, com o deslumbramento de quem observa a beleza pela primeira vez e agradece a paz da noite como quem se despede do mundo para transferir-se de residência.

Ama pela glória de amar.

Serve sem prender-te.

Lembra-te de que amanhã restituirás à vida o que a vida te emprestou, em nome de DEUS, e que os tesouros de teu espírito serão apenas aqueles que houveres amealhado em ti próprio, no campo da educação e das boas obras."

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Vladimir Polízio

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