Vladimir Polízio



A Páscoa

01-04-2014

As passagens da “Bíblia”, ou “Livro da Lei”, ou “Livro Sagrado”, ou ainda, do “Velho ou Antigo Testamento”, como é chamado esse conjunto de registros que traz em seu conteúdo fatos e relatos históricos e religiosos é considerado, também, como a “Bíblia Hebraica”.

São citações que encerram um período considerado por grande parte da humanidade, como o início da civilização humana na Terra, suas lutas, comportamentos, leis, domínios e servidões.

Portanto, os assuntos relatados no Velho Testamento não se enquadram, ao nosso ver, com os postulados apregoados na implantação da Era Cristã, iniciada a partir do nascimento de Jesus, âncora e balizamento desse advento, o cristianismo.

Em 1681 foi feita a primeira tradução da Bíblia para a língua portuguesa, cujo feito se deve ao escritor e padre português João Ferreira de Almeida, que posteriormente declinou da fé católica em favor do calvinismo.

Convém lembrar que a festa da Páscoa é um acontecimento que, para os espíritas, não tem sentido religioso.

Porém, para o povo judeu que segue as tradições do Velho Testamento, com justa razão essa passagem faz sentido. Os judeus respeitam os cinco primeiros livros, que são considerados como escritos por Moisés. Esses livros são, pela ordem: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Os demais livros não são levados em conta.

É nesse tempo, em Êxodo, Capítulo 23, versículos de 14 a 19, que a celebração de três festas é cobrada pelo povo, dentre elas, a Páscoa.

A Páscoa (Pessach foi instituída, então, nesse período da história para festejar a liberdade da escravidão a que esse povo estava submetido, quando nos domínios do Egito, fato ocorrido no mês de abril.

Quando Jesus esteve na Terra, afirmou vivamente que “não mudaria a Lei”. Se assim afirmou, foi em razão das transformações drásticas que introduziu no entendimento religioso, as quais deveriam estar provocando protestos e descontentamento no âmbito das sinagogas, em razão dos conflitos entre as novas orientações e os centenários textos hebreus.

Ora, se Jesus disse que “não mudaria a Lei”, mas todas as leis da disciplina social e religiosa existentes foram mudadas, importa que Ele não estava se referindo às leis terrenas, mas sim, às Leis Divinas, eternas e imutáveis. Assim considerando, qualquer tentativa de associar fatos ou doutrinas inscritas no Velho Testamento não poderá ser acolhida como natural, justamente em razão da transformação radical apresentada. Da penosa Lei de Talião, onde prevalecia o olho por olho e dente por dente, Jesus pregou o amor incondicional ao próximo, ensinando que se devia oferecer a face direita aquele que recebesse agressão na esquerda. Dos Dez Mandamentos constantes do Livro Êxodo, Jesus restringiu-os em apenas dois, dizendo ainda que nesses dois estariam incluídos toda a lei e os profetas.

Para os cristãos, e não estamos excluídos pois somos cristãos-espíritas, além de não dizer respeito aos ensinos de Jesus, a data pode ser considerada como uma oportunidade e pretexto para que se consumasse a traição ao Mestre Divino, quando foi preso, humilhado, martirizado e, por fim, crucificado, pela vontade popular que assim preferiu em benefício de um homicida que a história registrou como sendo ‘Barrabás’. Com esse gesto dos judeus de permitir o sacrifício de quem trouxe a Boa Nova ao mundo, entendemos que a maioria decide sempre, como foi decidido, mas nem sempre vence, pois a vitória está na razão de alcançar o triunfo com êxito brilhante em qualquer campo de ação. E não foi o que houve.



Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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