Vladimir Polízio



Esquecimento

28-01-2019

Este é um assunto que muito pouco é trazido à tona, justamente pelo desconhecimento que se tem da vida. É muito raro alguém se interessar por esse campo de conhecimento.

As pessoas sabem do dever de se levantar para o trabalho, que têm necessidade do alimento, que precisam da água, que carecem do descanso, do lazer...

As pessoas entendem que a busca do progresso faz parte da vida, mas muito pouco ou nada sabem a respeito de si mesmo, do porquê do sofrimento, das dificuldades, das dores...

Se viemos de algum lugar, por que não nos lembramos de nada? Se já tivemos outras vidas além desta, qual a razão do esquecimento?

Na verdade, há um véu colocado sobre o passado individual, cujas lembranças nem sempre seriam bem-vindas. O médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002) sempre dizia que não seria preciso submeter-se alguém ao processo magnético da terapia de vidas passadas para saber quem foi ou o que fez em vidas pregressas. Basta uma ligeira introspecção, que se resume no exame que se busca de si próprio, dos modelos de caminhos que você percorreu, avaliando com seriedade os pensamentos e sentimentos que o envolvem para ter, com grande acerto, uma imagem sua. André Luiz, benfeitor do Além é claro: "O seu presente diz, para todos, o que você foi no passado e o que você será no porvir, com reduzidas possibilidades de erro".

Mais uma vez nos recorremos a Chico Xavier, que através de seu mentor Emmanuel, nos oferece a mensagem 'Esquecimento', medida das mais importantes enquanto estamos a caminho na Terra. 'Esquecimento':

"Não te rebeles contra o esquecimento em que te mergulhas, na experiência na Terra, e aprende a valorizar o minuto para materializar o bem, assim como o tecelão aproveita o fio para fazer a própria vestidura.

Sob a neblina da carne, reencontramo-nos pontualmente uns com os outros para corrigir e sublimar.

A consanguinidade, por isso mesmo, quase sempre é o bendito santuário do reajuste.

Aí dentro, nos altares invisíveis do coração, é possível desculpar sempre, ajudar sem repouso e repetir suaves lições de humildade, a fim de que nossa alma se desenfaixe de pesados compromissos com as sombras.

Não te preocupes se a memória anestesiada pela Misericórdia Divina se revela incapaz de reconhecer os adversários e as afeições de ontem.

Em ti mesmo, por tuas tendências e princípios, sabes quem fostes. E, em teu lar, pelos conflitos e necessidades que a experiência doméstica te apresenta, sabes o que deves.

Somos ainda o reflexo do que fomos.

Obtemos do mundo o que merecemos.

Desse modo, saibamos retificar o passado, com a observância do bem, nas horas do presente, e o porvir responder-nos-á com a seara de amor e luz, paz e alegria que nos propomos alcançar.

A luta terrestre é campo imenso, em cuja superfície podemos projetar as sementes da bondade, todos os dias.

Comecemos, porém, pelo canteiro de casa.

Nossos pais e nossos filhos, o esposo e a esposa, o irmão e o amigo são leiras de espiritualidade, esperando por nossas demonstrações de concurso fraterno.

Não olvides a aplicação dos ensinamentos de Jesus, por onde segues, e o esquecimento transitório da vida física surgir-te-á como sendo a ponte bendita de acesso à sublimação integral."

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Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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