Esse não é um acontecimento normal para os casos anotados como sendo próprios de pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI), que experimentam o envolvimento de uma serena mas poderosa luz, que acalma e ampara em espírito a pessoa angustiada, restaurando-lhe as condições de equilíbrio.
Há médicos, no entanto, que entendem ser esse um acontecimento comum, corriqueiro e natural da parte dos que estão numa condição debilitada de saúde, quer nos hospitais ou nos próprios lares, cuja gravidade conduz a esse estado mental.
Aliás, nos instantes mais críticos, há casos em que a pessoa doente está em casa mesmo e chega a esforçar-se no leito, levantando a cabeça para visualizar as visitas invisíveis(1) aos outros, mas que estão acomodadas nas dependências do ambiente. Cita nomes correspondentes aos que já partiram e pede às visitas para que saiam um pouco da frente a fim de que esses invisíveis possam ser melhores vistos.
Não há como concordar plenamente com esse ponto de vista, já que esses registros não são generalizados, da mesma forma que se entende os casos de crianças até a idade de sete ou oito anos, que têm amigos invisíveis, mas que só elas conhecem e enxergam.
Tanto um como outro caso acontece, mas não com a frequência que se imagina ou se afirma.
Isso significa que nem todos os que se acham nessa delicada situação têm contato com a experiência de se verem, mesmo por breves segundos, parcialmente desligados do corpo físico.
Na verdade, essa ocorrência retrata a condição de uma pessoa que se vê em meio a graves traumas, cujo momento resulta no afrouxamento dos laços fluídicos que prendem o espírito ao corpo.
Nesses delicados e breves momentos, nem sempre o desfecho final é dado a conhecer à pessoa que passa por essa sensação, visto ainda não lhe haver chegado o momento da partida. No sono, por exemplo, o espírito sente-se semiliberto, razão das informações e dos conhecimentos que adquire ao retornar ao estado de vigília quando assim lhe for permitido recordar, pois muitas vezes o esquecimento tudo apaga.
Os instrutores do além afirmam que não é necessário o sono completo para que haja a emancipação do espírito, basta que os sentidos relaxem. O espírito procura desvencilhar-se, mesmo que por frações de segundo, e, quanto mais o corpo está enfraquecido, mais o espírito está livre(2).
Em O Livro dos Espíritos, na questão(3) que trata da antecipação do retorno, ou seja, se é possível a ocorrência da morte se a hora não é chegada, frente aos riscos que todos nós corremos em relação às ameaças dos perigos a que somos expostos, a conclusão oferecida não deixa dúvida:
Com essa manifestação da espiritualidade, cuja clareza também encontramos nas mensagens que Chico Xavier recebeu ao longo de sua vida sobre os que partiram, fica evidente para o nosso entendimento que não há morte tipo “surpresa”, sem que esteja programada no livro da vida para cada pessoa. Ainda em O Livro dos Espíritos, vamos encontrar outro ponto que esclarece as possíveis dúvidas: ‘Se a morte não pode ser evitada quando chegou a sua hora, ocorre o mesmo em todos os acidentes que nos atingem o curso da vida?’: “A fatalidade, verdadeiramente, não consiste senão na hora em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo”.
O assunto em questão já havia sido tratado por Allan Kardec, portanto há mais de 150 anos que nas manifestações dos Espíritos através dos médiuns, a presença da luz foi citada, como indicadora de caminho calmo e seguro para os que estavam aportando no outro lado da vida. E diz mais: “...era transportado, através do espaço, por uma força desconhecida; uma luz brilhante resplandecia ao meu redor, mas sem cansar a minha visão”(4).
Mas, como vimos, nos momentos desse relaxamento fluídico o Espírito busca a sua liberdade, mesmo que restrita, como neste caso real que estamos nos reportando, e diz respeito a um militar vitimado por gravíssimo acidente de trânsito em rodovia, quando pilotava sua motocicleta.
A vítima, oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, prontificou-se em relatar o que lhe ocorreu durante sua internação hospitalar. O Capitão Eduardo Yasui permaneceu por 40 dias recolhido ao leito, sendo que 33 deles foram passados na UTI,e desses 33 dias, 13 entubado devido à gravidade e delicadeza de seu estado físico.
Em dois angustiosos momentos na UTI, quando inclusive removeu os equipamentos que o auxiliavam na respiração, Yasui se viu diante desse quadro, com uma poderosa luz a se abrir em sua frente e, como se sentisse atraído e sem qualquer resquício de dor, além da mobilidade física estar normal, pois andava com firmeza e sem a angústia, a sua vontade era, de fato, prosseguir em sua direção, ir para ela. Cita, inclusive, a percepção real dessa luminosidade, lembrando que “...nunca vi uma luz tão forte e ao mesmo tempo que não cegava e permitia que enxergasse”.
“Com isso, todo aquele sofrimento deixou de existir. Em dado momento, de repente, voltei a sentir que estava novamente no meu corpo e via as pessoas manipulando o equipamento da traqueostomia dizendo...consegui, consegui!! E percebi que retornei para cá”.
A credibilidade e o respeito tributados ao Cap. Yasui são os fortes indicadores que recomendaram tornar público seus depoimentos sobre esse particular e sutil acontecimento em sua existência, que além de demonstrar que a vida prossegue após a morte, ainda colaborou para repensar, qual seja, reconsiderar o tempo de que ainda dispõe na Terra, para ativar pensamentos e atos mergulhados em vibrantes sentimentos fraternos. A fraternidade, sem dúvida, é o limiar, a porta de entrada ao infinito campo da caridade.
Este exemplo vivo certamente contribuirá para nortear o rumo dos que ainda se sentem inseguros frente aos incontáveis desafios da vida, lembrando sempre que acima de tudo e de todos, está a presença Magnânima do Criador, o Senhor da Vida e dos Mundos, nosso Pai Celestial.
Vamos encerrar com uma frase do próprio Eduardo Yasui”: “A internação me fez pensar em valorizar mais as coisas pequenas e entender que todo dia é uma dádiva de Deus”.
E concordamos plenamente com o sentimento renovado do Cap. Yasui, pois, referindo-se a Deus, assim está escrito: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda”(5).
(1) No instante do desprendimento, quando os laços fluídicos estão oferecendo menos resistência ao espírito devido à preparação de sua liberdade, dado a leveza da influência material que impera nessa hora, espíritos responsáveis por esse sagrado momento(incluindo parentes e amigos que lhe tributam respeito), aguardam pelo instante final, demonstrando alegria e felicidade. Enquanto isso, no ambiente do desenlace, familiares lamentam e choram.
(2) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - nº 407 – O sono completo é necessário para a emancipação do espírito?
(3) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - nº 853 – Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, não morremos se a hora não é chegada?
(4) O Céu e o Inferno, de Allan Kardec – Cap. II da 2ª Parte. Editora IDE – Araras-SP.
(5) Salmo 139.16.
EQM – Uma experiência de quase morte. Relato de quem esteve a poucos passos da morte em razão de gravíssimo acidente de trânsito em rodovia. Essa experiência fez com que seu comportamento fosse revisado e modificado frente à vida, essa dádiva concedida por Deus.