Vladimir Polízio



Dois fatos dignos de nota

03-06-2011

ROMEU DO AMARAL CAMARGO

(1882/1948)
Dois fatos dignos de nota

O tempo não apaga e nem diminui o mérito de atos e atitudes dignas de nota.

E através dessa e de outras demonstrações corajosas dos que nos antecederam nesta caminhada, que os vacilantes deveriam pautar a conduta norteadora da vida.

Coragem? Sim, e muita.

Há pessoas que gostariam de adentrar uma Casa espírita para saber o que ali se passa ou freqüentar o Curso oferecido pela Doutrina e dirigido aos que pretendem iniciar-se nesse caminho esclarecedor e lógico.

Mas é preciso conhecimento, firmeza, decisão e independência.

Porém, se o receio e a pressão familiar estiverem presentes, serão fatores muito fortes para embaraçar o divisor de águas entre fazer o que a consciência oriente ou aceitar a imposição, sempre em nome da “tradição de família”.

Este episódio envolveu o paulista Romeu do Amaral Camargo (1882-1948).

Professor, jornalista e advogado, Romeu do Amaral dedicou 23 anos de sua vida ao protestantismo, sendo ordenado diácono em 1913.

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Foi Inspetor de Ensino e Diretor de escola na cidade de Limeira-SP. Militou como advogado e jornalista, escrevendo para diversos setores da imprensa paulista, na Capital e Interior.

O Dr. Romeu do Amaral Camargo era pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente quando sentiu-se atraído para a Doutrina Espírita, depois de ter lido, por curiosidade, O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em seguida, leu toda a obra de Allan Kardec, esclarecendo-se de vários pontos obscuros que havia entendido no estudo da bíblia.

Em 1º de junho de 1945, então com 43 anos de idade, publicou na revista Reformador, órgão doutrinário da FEB – Federação Espírita Brasileira, a sua confissão de fé, como adepto do Espiritismo. A partir daí adentrou-se ao campo de trabalho que a Doutrina Espírita faculta aos seus seguidores.

Colaborou com a Imprensa Espírita de todo o país, foi redator-chefe e secretário da revista Espírita “Verdade e Luz”, fundada por Antônio Gonçalves da Silva (Batuíra), à qual deu o melhor de si. Consta de sua bibliografia quatro livros de muito valor, em defesa do Espiritismo: “Protestantismo e Espiritismo à Luz do Evangelho”, “De Cá e de Lá”, “Salvação pela Fé ou pelas Obras” e “Um só Senhor”, todos eles nascidos de grandes polêmicas mantidas com Ministros Protestantes, em virtude da sua conversão ao Espiritismo. Foi um dos fundadores e diretor-tesoureiro da primeira emissora de rádio de orientação Espírita, a “Rádio Piratininga – PRH-3”, cujos resultados foram os mais positivos no terreno da propaganda evangélica e doutrinária. Era o Espiritismo no lar, iluminando consciências e esclarecendo dúvidas, através da popularidade do rádio.


Fonte: AE-82 – IDE – Instituto de Difusão Espírita – Araras-SP.



EDUARDO FERNANDES DE MATOS

(1911-1992)
Dois fatos dignos de nota

Esteve no Brasil mais de uma vez e gozava de muito prestígio no Movimento Espírita. Aproximou-se da Federação Espírita do Estado da Guanabara, hoje União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro e do Instituto de Cultura Espírita do Brasil.

Em Brasília, participou do 6º congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas, tendo assinado a ata de fundação da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas (ABRAJEE). Viajou para diversos Estados e conseguiu correspondentes e colaboradores para a revista Fraternidade, que fundou e dirigiu em Lisboa.

Eduardo Fernandes de Matos não se intimidou no tempo em que o Espiritismo era perseguido, mantendo a publicação da revista Fraternidade, ao lado de Isidoro Duarte Santos, Casimiro Duarte e outros valorosos companheiros, e a destruição de uma das mais completas bibliotecas espíritas do mundo, deixaram de promover o Espiritismo em Portugal.

Perseverando na sua faina, dedicou-se também à divulgação dos livros, jornais e revistas espíritas em Portugal, de forma ostensiva. Com Isidoro e Casimiro Duarte promovia palestras de oradores de diversos países, patrocinando a viagem e hospedagem. Foram eles os responsáveis pelas primeiras viagens de Divaldo Pereira Franco a Portugal e outras nações da Europa.

Foi ele também dedicado à assistência aos necessitados, criando a Sopa dos Pobres da Fraternidade. Diante de seu esforço e da convocação de seu trabalho em favor dos humildes, ofertaram-lhe uma casa dos arredores de Sintra, onde ele fundou um abrigo para idosos desamparados.

Diante da evolução do Espiritismo não existe barreiras intransponíveis para promover o Bem. Espíritas do Mundo inteiro se sensibilizaram diante da coragem e da obra de amor desse valoroso seguidor do Cristo. Faleceu aos 20 de março de 1992, aos 80 anos.


Fonte: AE-93 – IDE – Instituto de Difusão Espírita – Araras-SP.


Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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