Admiração e espanto!... “Admiração” é “admirar; surpresa; estranheza”, e “espanto” é “medo excessivo; susto; surpresa; terror”. Dois conceitos para assinalar mais uma monstruosidade moral dentre as inumeráveis do Antigo Testamento (AT) ainda lamentavelmente ensinado “ipsis litteris” nos templos judaico-cristãos. Ela procede dos Dez Mandamentos (Ex 20:5-6): “Não te postarás diante desses deuses e não os servirás porque eu, IAHWEH, teu DEUS, sou um Deus ciumento que puno as iniquidades dos pais sobre os filhos até as terceira e quarta gerações dos que me odeiam mas que também ajo com amor até a milésima geração para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Queremos motivo maior a nos afastar da religião?! Como amar o DEUS que nos condena assim com tanta ira e injustiça? Ninguém percebeu ainda tamanho despautério? Como pode o DEUS de infinito amor, justiça, e misericórdia, ser tão inclemente? Quando o filho celerado pede pão à mãe, esta lhe dá pedra? É a mãe mais misericordiosa do que DEUS? Não, é óbvio! Todavia, se considerarmos o testamento divino, filhos, netos, bisnetos, e tetranetos, serão punidos pelos escândalos de seus pais!
Perguntamos: donde surgiu ideia tão insidiosa a ponto de se transformar em crença? Do Paraíso, da burlesca e lendária historieta de ADÃO e EVA onde a serpente, o animal mais astuto, induziu-os ao pecado levando-os a ingerir o fruto da árvore do conhecimento! Trata-se, tal narrativa, duma deformação intelectual-religiosa ofensiva a DEUS e ao bom senso por ser absurda! Onde seus fatos históricos comprobatórios? Uma de duas: se DEUS nos dotou, ao nos criar, de inteligência, vontade, e consciência moral, para crescermos em conhecimento e responsabilidade, então sabia porque e para que no-las dotou e, logo, não devia punir os descendentes, vítimas das faltas de seus ancestrais; mas, se não sabia, então também não devia puni-los, já que não sabia – hipótese inepta pois DEUS deixaria de ser DEUS –. Você vê agora a monstruosidade moral pairar ameaçadoramente acima de seu cérebro? Como tal mentira, a dos filhos sofrerem pelos pais, sobreviveu até nossos dias?
O leitor atento do AT deve estar se perguntando: “como amar, em vez de temer, tal divindade?”, “onde a justiça se os descendentes, inocentes, pagarão pelos culpados”. E mais: como aplicar aquela lei testamentária às centenas de civilizações anteriores a 95 d.C., ano no qual o AT teve seu cânon estabelecido pelo Concílio Judaico de Jâmnia? E quanto às que conheceram o AT mas não creram nele por conta dessa e doutras loucuras? Que tragédia intelectual horrorosa! Nem na justiça humana encontramos algo semelhante! E “nem”, afirmo certamente, pois a exceção cabe à famigerada Inquisição Católica que matou sem cessar por quase 700 anos de absolutismo religioso! Mas, em pleno 3º Milênio, quem pode sequer pensar em tamanha injustiça e devastação divina? Por isso os espíritas somos tão críticos em torno da Bíblia, e por isso aquelas agremiações religiosas andam tão vazias de cérebros pensantes por nunca terem acopladas a si as Filosofia e Ciência, indispensáveis às vivências das leis morais divinas, nas consciências humanas; faltam-lhes amor, misericórdia, e compaixão, porquanto seu DEUS não as possui, haja vista já nascermos estigmatizados pelo pecado original! Chega a ser nauseante!
Li recentemente: “para entrar em tais igrejas devemos, antes, quebrar nossos cérebros”. O AT suborna as leis naturais a partir de DEUS mesmo nesta outra enorme contradição: “Aquele” quem estabeleceu as leis morais também não estabeleceu as leis naturais? Portanto nem eu nem qualquer homem que raciocina aceitamos o AT de boa mente. Deveremos crer em seus absurdos só por ser dito a “palavra de DEUS que não mente?”. O que faremos com a nossa razão?
Ao seguirem o AT, rabinos, padres, e pastores, enganam falaciosamente seus rebanhos que os acompanham em tudo, porém de cabeças abaixadas, pois a letra do espírito não coincide e em nada tem a ver com o espírito da letra. Em suma: inverteram a verdade e prosseguiram em frente, acintosa e assintomaticamente. Mas o Espiritismo jamais pactuará com aquele aberrante mandamento repugnante à fé raciocinada! Cremos no mesmo DEUS, é verdade, mas por outros motivos. E citamos JAN HUS (1369/1415), teólogo tcheco, precursor da Reforma Protestante, e Reitor da Universidade de PRAGA: “Ó, santa simplicidade!”, disse em voz alta, quando nas chamas a arder, por culpa da infernal Inquisição, observou admirado, nas proximidades, a iniciativa duma velhinha recolhendo gravetos para incitar as labaredas. DEUS perdoe tanta ignorância reunida numa só cabeça!
Um dia as trevas da ignorância baixaram sobre o mundo religioso e atrasaram a Ciência em mais de 600 anos, até finalmente serem afastadas em 18 de abril de 1857, em PARIS/FRANÇA, quando ALLAN KARDEC lançou o “O Livro dos Espíritos”, retirou-lhes o véu da insanidade, e tornou luminoso o que não passava de obscuro dogmatismo.